sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

"Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar"

Mais um ano indo, e outro chegando. A terra não parou de girar, o verão chegou, lá se vai 2011, e lá vem chegando 2012, outras expectativas, outros sonhos pra realizar, outro ano de muito trabalho em busca de sucesso, um ano pela frente.
Frio na barriga? Aquele que se sente sempre 0:00 no dia 31 de dezembro.
"Frio na barriga" pela ansiedade dos acontecimentos do próximo ano.

Acho que sinceramente, eu tenho algum problema com reflexão, e com pessismo. Nem sei como consegui escrever o parágrago acima, inclusive. Só fico me perguntando se esse "pessimismo" com a chegada do próximo ano, já existia lá no fundo dentro de mim, ou foi algo plantado pelo ano de muitas experiências boas, mas de muita decepção, de muitos ganhos, mais também de muitas perdas.

Deixo 2011 com a certeza de que preciso deixa a tristeza pra lá, e trazer a esperança no lugar dela. Aprendi muito em 2011: de como pessoas se tornam insubistituveis rapidamente, do quanto se decepcionar pode doer, do quanto perder alguém que antes era imprescindivel no cotidiano pode doer, que escolhas são perigosas, que optar por algo é sempre dizer não para um lado e que isso é emocionalmente, muito dificil.

Em 2011 fiz 20 anos, mas parece que vivi alguns anos dentro dele, acontecimentos muito bons, momentos memoraveis (mesmo que eu queira negar isso pra mim mesma muitas vezes). Foi um ano de amadurecimento mais que tudo, um ano em que pude perceber que nada é de graça, que contar sempre com a sorte não é uma boa opção.

Aprendi que posso morrer de saudades, mas essa saudade só tem validade se falada ao outro de forma clara. Aprendi que não se deve brincar com pessoas, e nem com sentimento delas, porque o mundo gira, e quando percebemos, estamos na mesma situação.

Aprendi a amar, a re-amar, só não aprendi a esquecer, mas acho que vou esperar eu fazer 21 anos pra tentar entender porque consigo perdoar, mas não esquecer...

Classifico meu ano, como o do "chocolate amargo"...doce no começo, mas com aquele gosto amargo do final.

"Eu deixo a onda me acertar..
E o vento vai levando tudo embora..."

Vem 2012!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O que vem no meio

No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco, mas a que nos revela a nós mesmos.

Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa.

No meio, a gente descobre que sexo sem amor também vale a pena, mas é ginástica, não tem transcendência nenhuma. Que tudo o que faz você voltar pra casa de mãos abanando (sem uma emoção, um conhecimento, uma surpresa, uma paz, uma ideia) foi perda de tempo.

Que a primeira metade da vida é muito boa, mas da metade pro fim pode ser ainda melhor, se a gente aprendeu alguma coisa com os tropeços lá do início. Que o pensamento é uma aventura sem igual. Que é preciso abrir a nossa caixa preta de vez em quando, apesar do medo do que vamos encontrar lá dentro. Que maduro é aquele que mata no peito as vertigens e os espantos.

No meio, a gente descobre que sofremos mais com as coisas que imaginamos que estejam acontecendo do que com as que acontecem de fato. Que amar é lapidação, e não destruição. Que certos riscos compensam – o difícil é saber previamente quais. Que subir na vida é algo para se fazer sem pressa.

Que é preciso dar uma colher de chá para o acaso. Que tudo que é muito rápido pode ser bem frustrante. Que Veneza, Mykonos, Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrível mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa. Que a vontade é quase sempre mais forte que a razão. Quase? Ora, é sempre mais forte.

No meio, a gente descobre que reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Que é muito narcisista ficar se consumindo consigo próprio. Que todas as escolhas geram dúvida, todas. Que depois de lutar pelo direito de ser diferente, chega a bendita hora de se permitir a indiferença.

Que adultos se divertem muito mais do que os adolescentes. Que uma perda, qualquer perda, é um aperitivo da morte – mas não é a morte, que essa só acontece no fim, e ainda estamos falando do meio.

No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco e da caixa postal, mas a senha que nos revela a nós mesmos. Que passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável. Que as mesmas coisas que nos exibem também nos escondem (escrever, por exemplo).

Que tocar na dor do outro exige delicadeza. Que ser feliz pode ser uma decisão, não apenas uma contingência. Que não é preciso se estressar tanto em busca do orgasmo, há outras coisas que também levam ao clímax: um poema, um gol, um show, um beijo.

No meio, a gente descobre que fazer a coisa certa é sempre um ato revolucionário. Que é mais produtivo agir do que reagir. Que a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue. Que a pior maneira de avaliar a si mesmo é se comparando com os demais. Que a verdadeira paz é aquela que nasce da verdade. E que harmonizar o que pensamos, sentimos e fazemos é um desafio que leva uma vida toda, esse meio todo.